Assembléia Popular:
Mutirão por um novo Brasil


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O que a Assembléia irá discutir
Paulo Maldos

A “Assembléia Popular: Mutirão por um novo Brasil” será um momento ímpar em nossa história recente. Isto porque ela ocorrerá:

. depois de 30 anos de acúmulo político e organizativo dos movimentos populares do campo e da cidade, no Brasil;

. depois de 20 anos de vivência e experimentação da democracia formal, com muito exercício da prática política institucional por parte dos setores populares, tanto junto a governos municipais, estaduais como junto ao governo federal, com administradores de todo o espectro político, da direita como da esquerda;

. depois de 17 anos de uma Constituição Federal na qual os setores populares conseguiram incluir algumas de suas propostas, várias delas desrespeitadas até hoje;

. depois de 15 anos da “crise dos paradigmas” da esquerda mundial, do fracasso do socialismo real , da ascensão e da queda também do neoliberalismo como resposta à construção de uma sociedade justa e democrática;

. depois de 3 anos de experiência da chegada ao governo federal no Brasil de um presidente com origens sociais no povo mais pobre e excluído, na classe operária, na esquerda e nos movimentos populares do campo e da cidade;

. depois de quase 50 anos de experiências em governos de esquerda na América Latina, passando por Cuba, Chile, Nicarágua etc;

. depois de vários momentos de ascenso e de descenso das lutas populares no Brasil e na América Latina, com um rico patrimônio de lutas, vitórias, derrotas, experiências e análises críticas.

Certamente, tudo isso estará presente nas análises e debates que ocorrerão durante a Assembléia Popular. Naquele grande espaço de socialização e construção coletivas, os setores populares tratarão de recolocar no centro das suas reflexões os grandes temas do nosso tempo: a ética transformadora; o Estado controlado pela sociedade organizada; o lugar do trabalho na nova sociedade; um novo projeto para o nosso campo e para as nossas cidades; uma economia que sirva à sociedade, que socialize a riqueza e que emancipe os trabalhadores; a saúde e a educação como direitos coletivos fundamentais; as novas formas de se comunicar democraticamente; o respeito às culturas presentes na sociedade, nas diferentes etnias e nos diferentes povos

Na Assembléia Popular, os setores populares do campo e da cidade tratarão de reconstruir nossa utopia e reconstruir os caminhos para a sua realização – e as várias dimensões desses caminhos; tratarão de passar em revista décadas de experiências do povo brasileiro e dos povos latino-americanos, com seu imenso patrimônio de vitórias, de frustrações, mas sempre de um rico e permanente aprendizado coletivo.

Sem dúvida, alguns temas terão maior centralidade, devido ao seu alcance estratégico e devido à relação que possuem com a crise política aguda que vivemos, no Brasil e na América Latina: a questão das formas de controle democrático do Estado pelas forças populares organizadas e a questão de um novo modelo econômico a serviço do povo serão, certamente, duas questões centrais nas plenárias da Assembléia Popular.

A “Assembléia Popular: Mutirão por um novo Brasil” será um grande momento de repassar criticamente o pensamento e a sensibilidade do povo por décadas de lutas sociais, nas quais brasileiros e latino-americanos vimos buscando intensamente uma nova sociedade, livre, justa e radicalmente democrática.

Não é necessário que nesta Assembléia Popular alcancemos dar todas as respostas para os desafios que hoje enfrentamos, mas é imprescindível que nela cheguemos a um amplo acordo acerca do caminho que trilharemos para construirmos juntos nossas respostas.

(*) Paulo Maldos é assessor político do Cimi (Conselho Indigenista Minssionário)