Assembléia Popular:
Mutirão por um novo Brasil


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Preparando a Assembléia Popular: Mutirão por um Novo Brasil
Luiz Bassegio

Representantes das pastorais e movimentos sociais, entidades e organizações populares, que fazem parte dos processos da 4ª Semana Social Brasileira da CNBB e das Assembléias Populares: Campanha Jubileu Sul/Brasil e Campanha contra a ALCA estiveram reunidos em Brasília, nos dias 23 a 25 de setembro para planejar a “Assembléia Popular: Mutirão Por um Novo Brasil”. Os debates deram-se em torno dos eixos que nortearão a assembléia, da metodologia, e da preparação de um instrumento que recolha as reflexões já feitas para facilitar o aprofundamento dos debates e propostas. Com a participação de mais de 10 mil pessoas o evento se realizará nos dias 25 a 28 de outubro, em Brasília, DF.

A Assembléia Popular – Mutirão por um novo Brasil é fruto de um longo processo de reflexão realizado durante três anos, nas mais de 200 Semanas Sociais Diocesanas realizadas no Brasil e nas Assembléias Populares organizadas em praticamente todos os estados do país. Fruto de análises, debates e reflexões, está sendo elaborado um instrumento de trabalho que será enviado a todos as pessoas que participarão da assembléia e fim de se prepararem.

Quem pode participar?

Participarão as pessoas que se envolveram em um dos processos; da 4ª Semana Social Brasileira ou das Assembléias Populares e que concordam em seguir a metodologia participativa, o protagonismo dos que se envolveram nos processos e que estão comprometidos com a construção de um projeto popular e com a não partidarização dos debates. Já é consenso que os partidos não deverão participar.

Segundo levantamento realizado durante o seminário, cerca de 200 ônibus já estão sendo organizados para participar, ou seja, mais de oito mil pessoas; tudo indica que a assembléia terá entre 10 a 12 mil participantes.

Eixos e metodologia

No seminário, foram identificados os principais eixos temáticos em torno dos quais deverão acontecer os debates. Destacam-se como sendo principais: sistema político, soberania sobre nossos bens estratégicos, trabalho, educação e cultura, cidades, campo, economia, comunicação, relações internacionais e os diversos biomas do Brasil. O tema biomas, que sempre foi exclusividade de textos de cunho ecologista e de especialistas, apareceu com muita força. Os participantes, militantes de movimentos sociais, sugeriram que os debates se realizem também por ecossistemas diferenciados como: Cerrado, Pantanal, Amazônia, Semi-Árido, Mata Atlântica e Temperado Sul. A perspectiva de debates a partir dos biomas, revela a preocupação em debater a nossa realidade não apenas nos aspectos econômicos e políticos, mas também na perspectiva sócio-ambiental e cultural. Ou seja, o debate se dá a partir de outra lógica.

Uma das questões que perpassou o seminário foi a preocupação com a metodologia da assembléia. Como de fato conseguir que todos possam participar e se expressar num evento com cerca de doze mil pessoas?

Toda a organização terá essa preocupação. A começar pelo envolvimento das bases na indicação dos temas e das propostas; as iniciativas para conseguir os recursos financeiros para o transporte, os debates preparatórios em torno do instrumento de trabalho (texto), e a própria organização da assembléia: barracas para dormir, dezenas de equipes de trabalho, alimentação, mística e manifestações. Será de fato um grande mutirão.

Os participantes serão divididos em, provavelmente, em oito plenárias cada uma com pessoas. Por sua vez estas serão divididas em de grupos de cem pessoas para facilitar os debates e a elaboração de propostas.

O que se espera?

As perspectivas são animadoras. Resultado dos debates dos últimos três anos, teremos um livro com as análises e reflexões, será publicado um manifesto, plataforma ou uma espécie de pacto dos movimentos sociais em torno de princípios, bandeiras e propostas que deverão nortear as organizações nos próximos anos, na construção de um projeto estratégico para o Brasil.

No final da Assembléia Popular - Mutirão por um Novo Brasil, será divulgado um documento uma grande manifestação, onde se exigirá mudanças da política e do modelo econômico, tendo em vista uma nação livre, soberana onde a vida do povo esteja em primeiro lugar. Debates em torno da reforma agrária, soberania nacional, integração regional, auditoria da dívida externa deverão perpassar todo as atividades da assembléia.

(*) Da coordenação da Assembléia Popular: Mutirão por um Novo Brasil