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É AMOR E PONTO (POESIA)

Emily Braga



Black Queer Goddess Projetc, 2017. Foto: The Divulge Project. Reprodução do site People of Color Productions. Disponível em: https://www.pocproductions.com/black-queer-goddess-project.


Eu poderia escrever mil poesias sobre o amor

Mas ainda sim, não seria o suficiente

Poderia passar uma vida inteira oferecendo ao mundo

As poesias mais belas

O sentimento mais puro

Mas antes preciso honrar

Todo sofrimento e descrever de forma curta

O sangue que foi derramado da maneira mais hipócrita e bruta

Eu ainda sinto a dor das minhas ancestrais

Que foram proibidas de demonstrar afeto

Que tiveram que deixar os próprios sentimentos para trás

Para seguir um novo trajeto.

E em busca do que sentia ser certo

Muitas morreram

Outras foram agredidas

Muitas com medo

Outras oprimidas

Em uma luta diária por direito

Dia após dia a história mudava o seu enredo

Por muito tempo reprimiram o amor

Causaram dor

Julgaram

Queimaram

Nos jogaram na fogueira

Eu ainda sinto

As mãos sendo amarradas

Mas o coração gritando por liberdade

Eu sinto o fogo queimando a pele

As cinzas caindo no chão e sendo levadas pelo vento

E nós ainda sentimos isso todos os dias.

Diante de tudo o que sinto

De todas as minhas vivências em labirintos

Quem é você para me dizer quem amar?

Quem é você para saber o que é o amor?

Quem é você para saber quem eu sou?

O que quero?

Os meus desejos?

Ou até os meus maiores medos.

Quem é você para me dizer o que devo fazer ou seguir?

A sociedade foi manipulada

E sem questionar

Manteram-se em seu lugar

Sem dizer uma só palavra

Faz muito tempo

Mas história se repete

De forma diferente

Mas ainda gritante

Como um trompete em uma coleção na estante

Muitas portas se fecharam

Quando abrimos a do armário

Muitas até pensaram em desistir

Voltar para o antigo cenário

Negar sua identidade e deixar de existir

Mas por que não ser feliz?

Se só temos uma vida

Tenho que ser orgulhosa do que fiz

Porque a falta de amor

Separa

Maltrata

E o que a boca não diz

Os olhos falam com lágrimas.






Emily Braga tem 19 anos, comçou a escrever antes mesmo de aprender a ler direito. Apesar de amar poesia hoje em dia, nem sempre foi assim. Em uma época da sua vida tinha muita dificuldade para escrever poesias mais delicadas e por isso achou que não fosse boa o suficiente, até que conheceu a poesia slam e ficou apaixonada. A partir daí, passou a gostar de outros estilos também, até mesmo das poesias que falavam de amor. Percebeu que os seus versos traziam cura para si mesma e para quem tinha a oportunidade de ler. Entendeu que a escrita é um diálogo entre o escritor(a) e a leitor(a) que não se conhecem pelo nome, mas sim pelo sentimento, pelas experiências e vivências em comum. Ela escreve porque o que sente não cabe dentro de si e nem deve caber.


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