QUEM MENOS FALA É QUEM MAIS APONTA: O QUE AS PARASITOSES TÊM A NOS DIZER?

Atualizado: 23 de abr.

Raniere Souza


É bem provável que pelo menos por algum período na vida, você tenha enfrentado uma parasitose, sobretudo as intestinais. Inclusive, estudos mais recentes estimam uma persistência desses organismos em até 40% da população brasileira, e é sempre bom lembrar que, não são doenças de notificação compulsória, ou seja, há pouca coleta de dados que apontem a real prevalência entre as pessoas, e assim como em qualquer outro grande entrave de saúde pública, essa taxa varia expressivamente de acordo com a faixa etária, região, organização geopolítica e as condições sociais e culturais.

Os sintomas mais comuns são enjoo, diarreia, dor de barriga, fraqueza, falta de apetite e outros. De qualquer forma, apesar de muitos casos também passarem batidos, assintomáticos, não faltam por aí relatos de dramáticos encontros com algum espécime de verme, como por exemplo, as lombrigas, ou então alguns sinais e sintomas específicos que chamam mais a atenção no reconhecimento popular como a coceira anal que os oxiúros causam, assim como o inchaço abdominal provocado pela esquistossomose, que é conhecido como barriga d’água, ou ainda os cisticercos de tênia nas carnes de porco “canjiquinha”, e ainda falando da teníase, não se pode esquecer da sua temida solitária, que pode viver no hospedeiro por muitos anos.


Figura 1 - Vermes de Ascaris lumbricoides (Lombrigas) fêmea e macho, da esquerda para a direita. Imagem obtida do Atlas de Parasitologia - Myriam Consuelo Lopez. 2006.
Figura 2 - Carne suína (hospedeiro intermediário) com cisticercos, nódulos branquinhos causados por larvas de T. solium. Imagem: fao.org. 2021.
Figura 3 - Crescimento de baço, fígado e acúmulo de flúidos nos espaços abdominais por Schistosoma mansoni (Barriga D'água). Imagem obtida na internet e editada.
Figura 4 - Espécime de platelminto causador de teníase, Taenia solium ou Taenia saginata (Solitária). Imagem obtida na internet.

Dentre os grupos mais prejudicados, as crianças se destacam, porque além de serem mais vulneráveis quando se trata de manter bons hábitos de higiene pessoal (Costumam brincar no chão, pôr as mãos e objetos sujos na boca, comer sem lavar as mãos e às vezes após contato com animais de estimação), seu sistema imunológico é mais imaturo e acaba facilitando o estabelecimento parasitário. Um dos principais impactos do parasitismo intestinal na população infantil é a precarização da nutrição, pois como estão em fase de crescimento, a capacidade de aprendizado e o desenvolvimento físico e intelectual podem se comprometer em longo prazo, ainda mais porque os focos de contaminação atingem principalmente as populações que já enfrentam uma nutrição carente.

As doenças parasitárias em geral são provocadas por diferentes tipos de organismos e microrganismos, sendo as intestinais protagonizadas por: Protozoários que em humanos, por exemplo, causam giardíase e amebíase; E helmintos, que causam ascaridíase, oxiurose, ancilostomíase, teníase, esquistossomose e outras. Esses seres se diferem bastante, pois enquanto os protozoários são seres formados por uma única célula, os helmintos (Vermes) são multicelulares, e, além do mais, vale destacar também a variabilidade dos seus ciclos biológicos e suas características, que explicam etapas em que o indivíduo saudável torna-se doente e, consequentemente, o surgimento de sintomas e outras especificidades de cada doença, isso significa que para chegarmos à raiz do problema, precisamos conhecer um pouco sobre suas interações com o ambiente, hospedeiros principais e em alguns casos, com hospedeiros intermediários.


Figura 5 - Cisto de Giardia duodenalis (Organismo unicelular). Imagem: DPDx/CDC.
Figura 6 - Larva de Strongyloides stercoralis - Ancilostomídeo (Organismo multicelular). Imagem: DPDx/CDC.