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DICA DE LEITURA: HEROINAS NEGRAS BRASILEIRAS, DA CEARENSE JARIS ARRAES

Maria Olivia Pinheiro


A poetisa recupera histórias de pretitude e as reconta através da literatura de cordel. Apagamento histórico, relatos de resistência e resgate são registrados em quinze atos. Inicia-se abordando a história da política e jornalista catarinense Antonieta de Barros, menina órfã criada e alfabetizada por grupos populares. Segue narrando sobre a princesa africana e líder estrategista Aqualtune, cuja sobrevivência foi forjada na violência, vendida como escrava e feita ‘reprodutora’.

Aborda a escrita intuitiva e potente de Carolina Maria de Jesus, a mineira que não se contentou em ser catadora de papel. A resistência quilombola de Dandara dos Palmares, cuja morte trágica rejeitou a rendição. Os escritos de denúncia de Esperança Garcia, da coragem de Eva Maria do Bonsucesso, a preta quitandeira que não se calou diante dos maus tratos.

Também é relevante lembrar do ativismo político de Laudelina de Campos, filada ao Partido Comunista, Associação dos Trabalhadores Domésticos do Brasil e à Frente Negra Brasileira.

Luísa Mahin, mais uma das homenageadas na obra, inspira pela sua coragem ao se envolver na revolta dos Malês (1835) e na Sabinada (1837). Inspiram também a audácia e a luta pela independência baiana de Maria Felipa de Oliveira; os romances abolicionistas e o autodidatismo de Maria Firmina dos Reis; a gana de Mariana Crioula; o reinado conturbado de Na Agontimé; o comando inteligente de Tereza de Benguela; o curandeirismo e a fé de Tia Ciata; e o comando articulado de Zacimba Gaba.


São incríveis e criativos relatos cuidadosamente elencados nessa obra. Por fim, Jarid nos incita a lembrar e buscar nas nossas histórias ancestrais as referências que forjam quem, mulheres e homens pretos, hoje somos.


Se você não ainda não leu a obra, esse é um convite.




P. S.: A autora foi levada a escrever porque não teve, em sua infância e adolescência, referências de pretitude marcantes, sobretudo de mulheres. O mundo todo ao seu redor se apresentava repleto de eurocentrismo.



Livros didáticos, cinema, teatro, música e na literatura como um todo, pouco ou nenhuma era a presença das suas origens afro - brasileiras. Esse apagamento a incomodou e a fez chegar, após 4 anos de uma verdadeira escavação histórica, nesse grandioso livro. Os padrões eurocêntricos em nada falam para Jarid e para nós, mas agora podemos repassar para as gerações as nossas reais heroínas.




📍Informações bibliográficas:


Título: Heroínas negras brasileiras: em 15 cordéis

Autora: Jarid Arraes

Ilustrações: Gabriela Pires

Editora Seguinte, 2020.



Maria Olivia Pinheiro é Professora de Literatura, Mediadora do Clube Leia Mulheres e escritora em Petrolina- PE.


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