QUEM MANDOU MATAR MARIELLE?

Atualizado: 18 de mar.

Ingrid Macedo


No dia 14 de março de 2018 por volta das 21h, Marielle Franco, vereadora da cidade do Rio de Janeiro eleita em 2016 com mais de 40 mil votos, foi executada junto a seu motorista, Anderson Gomes. Marielle levou pelo menos quatro tiros na cabeça, e Anderson ao menos três tiros nas costas, quando o carro em que estavam foi emparelhado por outro veículo e alvejado numa ação de execução.

Marielle Franco. Reprodução: rede social.

Após 4 anos da fatídica noite, as investigações do caso resultaram em inúmeras operações policiais, envolvendo uma ampla rede de criminosos do Rio de Janeiro, e que levou a mais de 65 prisões até hoje. Entre as pessoas presas, estão os executores de Marielle e Anderson, Roni Lessa e Élcio de Queiroz e integrantes de quadrilhas que foram desmanteladas em investigações da Polícia Civil e do Ministério Público do Rio de Janeiro. A Força-tarefa afirma que o policial reformado Ronnie Lessa foi o executor de Marielle e Anderson e atirou contra a vereadora, enquanto o ex-militar Élcio Vieira de Queiroz dirigia o carro que perseguiu Marielle.

No dia das prisões, em março de 2019, a polícia encontrou 117 fuzis que Lessa escondia na casa de um amigo. Além do armamento, mais 500 munições, três silenciadores e R$ 112 mil em dinheiro foram apreendidos. A maior apreensão de armas da história do Rio de Janeiro. Lessa morava no mesmo condomínio em que o presidente Jair Bolsonaro mantém uma casa, na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio, local onde as armas foram encontradas.

A arma usada no atentado nunca foi encontrada. A suspeita é que o material foi jogado no mar da Barra da Tijuca. A polícia afirma que o descarte do armamento aconteceu dias depois da prisão de Ronnie, em 12 de março, e teria contado com a participação de quatro pessoas, entre elas a mulher e o cunhado do PM reformado, que foram presas na operação Submersus, em outubro de 2019. Em depoimento à Delegacia de Homicídios (DH) da Capital, um pescador contou que um comparsa de Ronnie Lessa contratou seu barco e jogou seis armas no mar perto das Ilhas Tijucas. Para a polícia, entre as armas estava a submetralhadora HK MP5 usada para matar Marielle e Anderson. Posteriormente, em junho de 2020, foi efetuada a prisão de um sargento do Corpo de Bombeiros, braço direito de Ronnie Lessa e suspeito de ajudar a sumir com as armas.

A partir do caso Marielle e Anderson, outros homicídios e crimes como tráfico de armas e extorsões foram esclarecidos. Mas, a pergunta de quem mandou matar Marielle e por quê, segue sem respostas, e com contornos cada vez mais confusos.


Interferências no caso:


Março/2019 - O titular da Delegacia de Homicídios (DH) da Capital, Giniton Lages, foi afastado do caso logo após a prisão dos executores de Marielle e Anderson. Seu substituto foi Daniel Rosa.

Setembro/2019 - Já em setembro do mesmo ano, Raquel Dodge, Procuradora Geral da República, apresentou denúncia ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) contra cinco pessoas por interferência nas investigações do assassinato de Marielle e Anderson. No mesmo mês, Raquel Dodge informou que solicitou a federalização da investigação dos mandantes do crime.

Maio/2020 - Após ser eleito com um episódio de extremo desrespeito à memória de Marielle, e vetar a criação de praça que pretendia homenageá-la no Rio de Janeiro, o ex-governador Wilson Witzel foi acusado de fazer interferências no caso. Em entrevista, Witzel disse que sugeriu ao delegado responsável à época pelo caso, Giniton Lages, que prendesse imediatamente os executores do crime, ainda que sem o esclarecimento sobre a existência de um eventual mandante.

Maio/2020 - Em depoimento, ex-ministro de Bolsonaro, Sérgio Moro diz que presidente pediu a superintendência da Policia Federal do Rio de Janeiro. Segundo Moro, o presidente pedia desde março de 2019 que ele pudesse indicar para o então ministro, um nome de confiança para estar à frente da superintendência da PF.